Flauta Transversal


A evolução histórica da flauta até Boehm

Por Sávio Araújo

A Flauta Primitiva

        A flauta é um dos mais antigos instrumentos. Desde os tempos mais remotos, encontramos relatos sobre homens que se utilizavam de ossos e outros objetos com formato de tubo para produzir sons. Na era paleolítica, tais fatos tinham ligações com o simbolismo das culturas e os fenômenos sonoros ligados à esses objetos tinham um significado místico. Como os tambores, a flauta foi inventada para servir a rituais de magia. Era usada por curandeiros das tribos como um instrumento de auxílio em suas comunicações com o mundo dos espíritos, para curar doenças, cessar a chuva e assim por diante.

        Em seus estágios iniciais, a flauta tinha várias formas, desde um pequeno apito feito a partir de osso de avestruz, passando pelo tubo de bambu com um corte em forma de forquilha (que mais tarde se transformaria na flauta doce) e ainda algumas fabricadas a partir de cascas de frutas que, após secas, deixavam uma cavidade ôca em seu interior.

        Com o passar do tempo, orifícios foram sendo adicionados às flautas e suas outras formas. As civilizações Egípcias e Sumérias já entraram na história fazendo uso de instrumentos com três ou quatro orifícios. No entanto, desde a era pré-histórica já se sabia de flautas fabricadas com ossos e contendo vários orifícios perfurados.

        A flauta, portanto, herdou estas características mágicas. Em solos orquestrais como L'Après-midi d'un Faune (Debussy) e Daphnis and Chloë (Ravel), não é difícil identificar o deus Pan, recostado à uma árvore, flauteando seus encantos e inspirando a floresta com seu som mágico.

A Idade Média

          Podemos considerar que a flauta teve duas fases distintas: a fase "alemã", ou do sistema antigo, e a fase da flauta moderna, a partir de Theobald Boehm. Na Renascença e mesmo antes, havia diversos instrumentos que eram chamados de flautas. Alguns que eram tocados verticalmente tornaram-se a moderna flauta doce, enquanto que os que eram tocados de lado transformaram-se na flauta transversal. Eram, no entanto, construídos em tubos únicos de madeira e continham orifícios que eram fechados com os dedos para produzir diferentes notas. Leia mais...

Sávio Araújo
Flautista e professor IA UNICAMP

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